Você Pergunta, Manuela Responde (Parte 1)

Continuando na Brincadeira, dessa vez, as Mendigas da Marciano perguntaram sobre Manuela. E, olha… Doeu.

R.: Bento é meu amigo. Na época, quando eu encontrei com ele, foi fora do país. Lá, a gente se deu super bem (fala baixo, o Gabi e o Rafa estão aqui do lado) e nunca perdemos o contato. Quando o pai dele faleceu, ele me chamou para dar uma ajudinha, e eu fui. O supertime que ele tem de gente diversa, fui eu quem ajudei a fazer! Inclusive, alguns arquitetos dele, ele pegou de mim, da minha equipe de restauração. Somos bons amigos, eu adoro o Bentinho e tava mais do que na hora de ele achar uma Capitu à altura dele. Shippo horrores Andréia e Bento!

 

R.: Não engoli, mas sou obrigado.

 

— Cê já rodou a Bahiana, Manu?

— Não, Rafa, Credo!

R.: Eu odeio aquela mulher com todas as minhas forçaaaaaaas! Eu não suporto saber o nome dela, ouvir ele contar da época em que ia se casar com ela, não quero nem passar perto da rua do trabalho dela! Eu sei, a gente estava separado, eu também dei uns pulinhos por fora, mas ELE TAVA SE CASANDO!! Como assim, ele ia se esquecer da gente e ia se casar com uma mulher? E o Gabi? Ia deixar de ser bissexual para levar uma vidinha hétero Top, empreguinho no banco sendo que ele virou engenheiro?! Ah, não, não MESMO!

— Ainda bem que não rodou a bahiana, né, Manu?

— Ah, Rafa, que quié!

— Pra ser honesto, também não gosto de saber que o Rafa ia se casar.

— Você nunca falou nada, Gabi.

— Porque você era livre, podia fazer o que quisesse.

— Anota bem o que o Gabi disse, Rafael: Você era Livre.

Nessa hora, Rafael só riu.

 

R:. Que menina curiosa! Tudo ela quer saber!

É uma entrevista, Manu, o que você queria?

— Que fique registrado que estou sendo obrigada a responder.

— A verdade verdadeira? — Sentado, Rafael jogou as costas contra o sofá e coçou a cabeça — É um saco. Toda hora tem alguém aqui. Se não tem alguém de fora aqui dentro, Manuela quer que a gente vá para a casa de algum deles. Ela leva esse negócio de "ser tia" muito a sério, e tá sempre com uma criança no colo. Se não tá no colo, tá aqui na sala.

— Ai, Rafa, às vezes você é tão chato…

— A sorte é que a gente passa pouco tempo em casa porque vive viajando por aí.

— E não vai ser pra sempre, também, porque o Tio Digo e a Tia Fê um dia vão se mudar para cá. — Gabriel concluiu, puxando Manuela para mais perto, tentando mudar o assunto e a carinha de brava com que ela olhava para Rafael.

— Cê não gosta daqui, Rafael?

— Não falei isso, Manu.

— Falou sim…

— Não, Amor, não é isso. É só que… você vem de família grande e todos vocês são muito unidos. Às vezes se esquecem que não moram mais juntos, só isso.

— Desculpa.

— Não precisa pedir desculpa. Tá tudo bem. Eu sempre soube como seria.

— Sempre? — Gabriel sorriu.

— É. Sempre.

R.: Você acha que eu queria? Hoje em dia, sabendo como tudo se resolveu, eu teria feito diferente. Eu só… fiz o que pude fazer na época, com a informação que tinha, e a idade também.

— O que você teria feito de diferente, Rafa?

— Teria revidado e ido embora. Depois tinha voltado para buscar a minha mãe.

R.: Foi… normal.

— Normal. — Gabriel repetiu.

— É. Não foi bom nem ruim, nem quente nem frio. Foi… normal.

— E como é ficar com a gente, Rafa?

Rafael abriu um sorriso largo e maldoso, mas não disse palavra.

(Aziz) R.: A nossa religião não permite todo mundo junto. Um amor é um, outro amor é outro. Quando Arabi quis se casar de novo, morri de medo. Eu sou a primeira esposa e fiquei com a sensação de que não bastava. Depois, quando a segunda esposa foi escolhida, meu coração se abriu para ela e nós duas somos como irmãs. Ela é minha melhor amiga e nós nos damos muito bem! Fazemos o nosso lar cheio de afeto e carinho e não importa muito com quem ele se deita.

A relação de amor entre nós três é muito diferente do ocidente, mas nós somos felizes assim. Arabi tem duas esposas, e as esposas dele, nós duas, somos esposas muito felizes!

R.: Eu não diria que sou o mais traumatizado, isso não é uma olimpíada. O Rafa enfrentou a parte dele, eu enfrentei a minha, e graças a Deus Manuela ajudou nós dois, mas nunca precisou enfrentar o que nós enfrentamos. Assim como todo mundo, tem um dia que a gente se pega pensando o que teria feito diferente e os meus dois me deixam falar o que eu sinto. Acho que, mais do que beijo e sexo, eles são meus amigos e sinto que tudo bem se eu quiser desabafar saudade da minha mãe, ou quiser remexer uma ferida. Até o Rafa, hoje em dia, já fala do passado dele. 

— Ela perguntou "como", Gabriel.

Ué, depende! Se é aniversário da minha mãe, a gente vai comer um bolo em homenagem, depois deixa flor, e volta para casa. Eu sempre fico pior quando é aniversário dela, e, depois que ela morreu, muita ficha sobre o comportamento dela diante do meu pai ainda cai. Não é como se o que tivesse acontecido tenha passado. Internamente, ele ainda tá acontecendo. Comigo e com o Rafa, né, Rafa?

— Eu já superei tudo.

— Superou, né? — Manuela riu — Tanto é que aaaaaaaaama o Carlos, marido dela! É tanto amor, sabe, que chega a me dar inveeeeja!

(Manu) R.: Ele só desenha putaria agora, Carol!

— Mentira! — Gabriel revidou.

— É sim, só desenha putaria! Ou tá desenhando putaria, ou tá projetando coisa nova. É assim que o Gabi funciona, Patrícial.

— … mas eu não deixou ninguém ver.

Trabalhamos. Agora o Rafa e o Gabi trabalham comigo! Não é um sonho?! Eu fico boba no quanto nós três damos supercerto em tudo! O Gabi e eu desenhamos e restauramos, e o Rafa, que é engenheiro, cuida das estruturas. A gente trabalha junto, então, se tem dois trabalhos acontecendo ao mesmo tempo, o que geralmente tem mesmo, o Gabi cuida de um, eu cuido de outro, e o Rafa fica para lá e para cá. Eu amo trabalhar assim.

 

1 comentário

Priscila Matias Guedes

Melhor trisal da vida…Camis deu vida ao meu sonho de princesa

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